“Fatos Manauaras- Tia Genoveva”

Apresentação:

Esta é uma obra literária de um escritor fluminense (Rio de Janeiro) que há muito tempo no Amazonas, precisamente Manaus, escreveu variadas crônicas que retratavam vidas, fatos políticos cotidianos, costumes, culturas e comportamentos de indivíduos que estavam ambientados numa época transitória de regime Militar (Ditadura) ao novo contexto democrático da sociedade brasileira.

Peri Augusto, um cidadão intelectual, que não se contentava com a forma arbitrária com que se posicionavam as autoridades da época, decidiu escrever esses relatos em forma de contos, que até então, eram publicados em uma coluna do Jornal “A Crítica” ( jornal de Manaus), todavia suas publicações foram censuradas pelos órgãos de segurança, os quais fizeram pressão e ameaças, para evitar que Peri fizesse críticas ao regime vigente. Ele por sua vez fez, ficou ouriçado; em revide, e também em contribuição ao reestabelecimento da democracia, criou a obra “TIA GENOVEVA”.

TIA GENOVEVA foi o artifício que Peri Augusto usou para burlar a censura e fustigar os donos do poder. Ele fez a obra da forma mais simples possível, a fim de ser compreendido pelo povo e interessá-lo no debate político.

O público – digo sem jactância – gostou da criação, bem como das personagens secundárias, incentivando-o por meio de cartas, em grande número, endereçadas ao jornal. Se não fosse esse estímulo talvez Peri tivesse desistido. Basta dizer que, dois domingos em que a “velha Genoveva” não apareceu no Jornal, choveram de telefonemas para a redação, reclamando-lhe a ausência.

Com o decorrer dos dias, alguns amigos e muitos leitores de Peri Augusto, sugeriram a ele a publicação das estórias de Tia Genoveva em livro. Em princípio ele relutou, na convicção de que os fatos abordados, com o tempo, perderiam a atualidade e ficariam superados. mas, revendo as quase 100 crônicas publicadas, ele verificou que se elas fossem enfeixadas em livro, ficariam pelo menos como registros de uma época sombria, em que a Ditadura procurou anestesiar a consciência nacional.

Só por isso, pois Tia Genoveva se transformou em livro. A crítica e os leitores dêem-lhe o destino que merece.

Eu só posso hoje contemplar os escritos de Peri da obra Tia Genoveva, em virtude de meu pai, jornalista Gabriel Andrade, da comunicação amazonense, ter em seus arquivos bibliotecários, em pergaminhos, essa obra-prima que pertence ao velho amigo Peri Augusto. Desse modo posso mostrar aos leitores que antes não tinham o conhecimento dos escritos de Peri, agora em caráter virtual, para que todos possam saborear uma genuína obra da literartura amazonense.

Profª. Gleide Ayala

APRESENTANDO,

TIA GENOVEVA

I CAPÍTULO – CASO HERZOG

Quarta feira última estive na mansão de Tia Genoveva, no Jardim Europa, da Ponta negra. Ela aniversariava e eu fui levar-lhe um presente. Caprichei na compra, tendo inclusive consultado pessoas mais experientes, até optar por sofisticada lata de chá inglês.
Na ocasião em que lá cheguei em meio à roda de pessoas que tinham ido cumprimentá-la, a carbonária velha exalatava a sentença do Juiz Márcio José Moraes, da 7ª Vara de Justiça Federal de São Paulo, que repsonsabilizou a União pela morte do jornalista Wladimir Herzzog.

Entreguei-lhe o presente na suposição de ela ficaria satsifeita com a lembrança. Mas a velha, depois de rasgar o papel que envolvia o presente, olhou-o com desdém e sentenciou na presença dos circunstantes:

– Não bebo esta porcaria. Só tomo chá de erva cidreira.

Fiquei com cara de vaca de presépio, na presença das visitas, sem saber o que dizer. Sorte é que as pessoas compreenderam o sentimento da Tia Genoveva e silenciaram. Ela agia sob o impulso da xenofobia. Enquanto fiquei a matutar sobre o sentimento nacionalista de minha tia, ela retomou a conversa, como se nada tivesse acontecido.

– Se a justiça brasileira fosse constituída de homens todos corajosos como esse magistrado paulista, o país já teria tomado outro rumo. A sentença, embora seja um fato isolado, pode muito influir em decisões futuras. Tanto assim que a s famílias de outras vítimas da ditadura, que morreram nas masmorras, já se movimentam para que se lhes façam justiça.
Contrariado com o desdém que a velha teve com meu presente e , sobretudo, porque não sou como outros parentes que bajulam, com o olho nas terras que ela possui no Tarumã e uma dúzia de prédios comerciais alugados no centro da cidade, decidi contrariá-la.
– Esse juizinho que a senhora está enaltecendo, só tomou a decisão porque o Governo começou a fazer a abertura. Do contrário, não teria coragem de pôr as unhas de fora.
– Cala a boca, pascácio – fulminou-me Tia Genoveva, interrompendo minhas palavras e prosseguindo com mais veemência.
– Quem pode acreditar nesse Governo que tá aí? quando ele promete uma coisa, faz outra. Vocês se recordam do chamado diálogo? (todos acenaram com a cabeça em sinal de assentimento). Quando o senador Petrônio Portella procurava entender-se com a oposição para fazer a abertura democrática, ele surpreendeu o país com o “Pacote Abril”.
– Mas as circunstâncias do momento… – tentei explicar.
– Que circunstâncias? o Governo é mais enganador do que camaleão. Muda de cor conforme a conveniência. Agora mesmo, depois da aprovação da reforma, está institucionalizando o Ato Innstitucional nº 5, a Lei de Segurança Nacional, a Lei de Greve e outras barbridades. Tá simplesmente legalizando a ilegalidade e tudo vai continuar como antes.
O Tribunal Federal de Recursos – arrisquei – vai examinar a sentença do atrevido juiz paulista. E, com toda a certeza, vai reformá-la, lançando-a águas abaixo.
Que o faça. A justiça mais uma vez ficará desmoralizada. A toga dos ministros vai ficar manchada para sempre. E o povo não os perdoará.
A governanta da casa, Maria Augusta, entrou na sala e anunciou que o peru estava na mesa. Os ouvintes da Tia Genoveva, ante o aceno do peru recheado debandaram, rumo ao varandão, seria servida a ceia farta, para encher-lhe os bandulhos. E a velha, despejando sua raiva sobre mim, esbravejou-lhe:
– Só assim permito sua entrada nessa casa em repseito ao meu falecido irmão, seu pai, e a minha coerência democrática. Não fosse isso, punha-o no olho da rua.

II – LEI FALCÃO

Estava eu no Canto do fuxico a ouvir as badalações de um grupo de desocupados sobre prognósticos eleitorais, mas com olho oblíquo nas cocotas que passavam, quando sou despertado por um “psiu”. Era a tia Genoveva que dentro do seu luxuoso Mercedes Benz, acenava, chamando-me.

Dirijo-me até o carro e, bem me aproximo, ela foi logo sentenciando, com sua voz autoritária:

– Entra aí!
Explicou, em seguida, que ia fazer compras e precisava de meu auxílio. Embora não viva, como outros parentes interessados na herança da anciã, puxando-lhe o saco porque ela não o tem, nutro baita admiração pela altivez da velha. E, sempre que nos encontramos, procuro provocá-la. Fato este que às vezes redunda em hostilidade. Por isso, tão logo me aboletei no confortável carrão, tratei de irritá-la, puxando conversas sobre política.

– A senhora viu o discurso do Presidente Geisel, em Iatcoatiara? – indaguei-lhe.
– Vi, sim – respondeu e fez a seguir outra indagação – E daí?
– É que o presidente, no seu pronunciamento na Velha Serpa, demonstrou muito carinho pela região Amazônica.

– Carinho nada – interrompeu ela meu raciocínio – o que vi, foi um ato reprovável. Como é que um dirigente da Nação deixa seus relevantes afazeres em Brasília e sai a percorrer tudo quanto é biboca do país a nos pedir votos para a ARENA?
– Tá no direito dele- ponderei – e isso faz parte do jogo democrático.

– Não me fale nessas bobagens. Nós não temos democracia. Temos é uma ditadura que quer se fantasiar de democrata. Tenho muita vivência e sempre dentro da política, desde quando meu falecido marido, que interrompeu sua carreira de médico vitorioso para exercer deputação federal. Isso ainda no tempo de Artur Bernardes.
Quer dizer que a senhora e seu esposo apoiavam o Preseidente Bernardes…
Quem falou em apoiar? Sempre estivemos na oposição. Ninguém aplaudia o “seo” Mé, que tirou todo o governo em permanente estado de sítio.
– Bernardes era, então um ditador?
– Não bem assim. mas agia estribado nas leis. Não era essa vergonheira de agora. Para tudo existe uma lei casuística.
– Como assim?
– Não seja tão asno! Será que você não enxerga o que se passa? O presidente Geisel proibiu o acesso dos candidatos ao rádio e à televisão, meios de comunicações indispensáveis para a propaganda eleitoral, onde todos poderiam levar suas mensagens ao povo.
– Mas a lei é do ministro da justiça, tanto assim que chamam de Lei Falcão.
– Que justiça e que Falcão! a lei é de inspiração do Presidente Geisel. Foi feita para amordaçar a oposição. tão imperfeita que está atingindo o próprio partido da situação.
é uma demonstração da lisura com que age o governo.
– Lisura, pois sim!” o atual e o futuro presidente abusam da televisão e do rádio. Aos dois tudo é permitido. Estão diariamente a pedir votos para a ARENA. E nos últimos dias, chegam até a atacar o partido da oposição, com argumentos torpes, como o de que o MDB está infiltrado de comunistas. Comunistas existem até dentro do governo. Por que o governo não demitiu os comunistas da administração do país, denunciados no manifesto do General Silvio Frota, quando ele deixou o Ministério do Exército?
– Mas …
– Que mas?! não tem mais nem menos! O fato é que não se permite à oposição o elementar direito de defesa. até parece que retrocedemos aos tempos de Hitler, Franco ou Getúlio.

Estava o papo nesse pé, quando o motorista saiu da estrada para entrar no sítio de um japonês, onde a velha ia comprar umas plantas decorativas para ornar, mais ainda, sua já florida mansão da Ponta Negra. Que bom seria – fiquei a matutar comigo mesmo – se o diabo da velha me desse a grana que desperdiça com essas frescuras ornamentais.

III- CAPÍTULO FICÇÃO

Tia Genoveva é chegada à literatura. Não digo que seja uma literata. Mas ela manja do caroço.
Também pudera! morou no Rio na bela época em que seu finado marido, por três legislaturas seguidas, desempenhou mandato de parlamentar. Conviveu com meio mundo. E, naquele tempo – época dos saraus e dastertúlias literárias – ela desfilou intensamente nos salões em que se discutia prosa e poesia, e não se ligava para o cinema, a televisão ou a música popular.
Inteligente como ela é, a velha tinha que assimilar os costumes do momento em que viveu. Ademais, lê por diletantismo. Daí, porque é capaz de discutir qualquer romancista ou poeta de antanho, ou da atualidade.
Se tia Genoveva tenatasse a ficção, pelo estilo seguro e ameno de suas cartas, que as conheço bem, creio que seria capaz de fazer sucesso. A septuagenária é fogo. Quem convive com ela, sabe disso.
Outro dia, quando estava em sua fazenda do Tarumã, onde fui participar de uma pescaria com os caboclos serviçais da velha, fui surpreendido com os conhecimentos literários dela. Subia eu pela escada que dá acesso a casa da fazenda, enquanto ela olhava o gado no campo, através do binóculo, fez-me, então, a seguinte indagação:
– Você conhece os ficcionistas cariocas?
– Assim, assim – respondi.
– Assim, como?!
– Pela rama. Pelo menos os mestres que formam o espigão da ficção carioca – Joaquim Manuel de Macêdo, Machado de Assis, Lima Barreto, Marques Rebelo e Stanulau Ponte Preta – Não me são desconhecidos.
– Bem, pelo visto, você não é totalmente ignorante no assunto.
– Mas se a senhora desejar levar um bom papo sobre a ficção carioca – insinuiei – posso convocar Tufic, Antisthenes, Aloísio ou Engrácio, com quem minha cara tia poderá discutir literatura a valer, pois são todos escritores atualizados.
– Não quero conversa com essa gente, só cinverso comq uem tenho intimidade. Se falo, às vezes, alguns assuntos com você, é porque lhe reconheço algum mérito, apesar de tradicionalista e conservador.
Agradeci. E, de certa forma, fiquei satisfeito porque ele não me tachou de reacionário, como costuma fazer. A velha sacou então o suplemento “Livro”, do “Jornal do Brasil”, para me mostrar um estudo de João de Antônio sobre Lima Barreto. Segundo ele, pelo depoimento do professor Carlos Alberto Nóbrega da Cunha, que conviveu com o autor de “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, que acaba de ser traduzido para o inglês, Lima Barreto não era dado ao vício da embriaguez.
– Essa não – protestei – o mulato carioca era chegado à cachaça.
A velha mostrou-se meio admirada com a tese de João Antônio e revelou que sempre tivera Lima Barreto como um bom copo.
Mas, deixa isso pra lá – sublinhou a septuagenária. Já que o autor de “Memórias do Escrivão Isaías Caminha” foi reabilitado literariamente, seria bom que o fosse, também moralmente.
– Certo, respondi.
Daí em diante, tia Genoveva passou a falar dos livros de lIma Barreto, como “Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá”, “Numa e Ninfa”, “Bruzudungas”, “Clara do Anjos”, etc. Lembrei-lhe, então as qualidades de Lima Barreto como contista e ela em cima do lance, interrogou-me:
– Para você qual a melhor história curta (ela não chama conto) do Lima?
– Para mim é o “O Homem que Sabia Javanês”. Um primor de ironia retratando a época em que o mulato viveu. Acho que dificilmente, na ficção brasileira, dentro do gênero, encontra-se coisa melhor.
– É aceitável seu ponto de vista – disse ela – mas vá tomar um banho para tirar essa catinga de peixe do seu corpo que está me dando náuseas e volte para prosseguirmos a palestra.
Saí, mas fulo da vida. Que velha burguesa! Será que depois de uma pesacaria, ela desejaria que voltasse com cheiro de perfume? Ah, velha cheia de *idiossincrasia.

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Nota
* Idiossincrasia – 1) Disposição particular de temperamento e constituição, em virtude da qual cada indivíduo sente diversamente os efeitos da mesma causa; 2) maneira de ser, própria de cada pessoa.

IV CAPÍTULO – A VENDA DA FLORESTA

Fui visitar a tia Genoveva na véspera do natal. Ao chegar à mansão da Ponta Negra, encontrei-a falando para um auditório quedo e servil (Padre Calazans, corretor Marinho,a dvogado Antisthenes Leão, parentes e políticos interesseiros, e unn tipos desconhecidos) que a ouvia embevecidos.
– Vocês – dizia ela – já observaram a que ficará reduzida a Amazônia, com a execução desse plano diabólico para exploração da floresta, sob contrato de risco?
Como nenhum dos presentes se manifestasse, ela mesma respondeu a pergunta, não como conservacionista, mas como patriótica revolta.
– Vão fazer aqui o mesmo que fizeram na Indonésia. Arrasaram a florestae, em seguida, passaram a explorar as riquezas do subsolo. A voracidade das multinacionais é ilimitada.
Tive vontade de interromper a velha septuagenária, dizendo que o apetite das multinacionais era como o do Pe. Calazans: insaciável. Mas, nesta altura, meu filho menor pediu para ver os pássaros,pois minha mulher o deixara na sala e metera-se com a governanta Maria Augusta na cozinha para discutir receita culinária.
Saí puxando a criança pelo braço e levei-a até o quintal, onde estão localizados os viveiros, pois a velha mantém exótica coleção de aves que vai da arara ao rouxinol do Rio Negro. O menino ficou deslumbrado.
Meu primeiro ímpeto, quando entrei na mansão com a mulher e um dos filhos, foi cumprimentar a velha e regressar imediatamente, tal a desatenção como ela nos recebeu. Mas como o menino queria, porque queria ver os pássaros, resolvi não privá-lo do prazer.
– O milagre braileiro – prosseguia a velha quando voltei à sala e deixei o filho aos cuidados do zelador que cuida da passarada – deu nisso que está aí. Para pagar a dívida externa teremos que abdicar de nossa soberania, entregando nossas madeiras a pre3ço de banana. As multinacionais quando quiserem liquidar a floresta, serão ainda capazes de exigir uma indenização do Goverbo e nossa dívida, que cresce como rabo de cavalo, estará cada vez maior.
– Mas – resolvi contestar a velha, já que ninguém ousava fazê-lo – a senhora não ignora que a nossa situação é decorrente da conjuntuta internacional, com a elevação do preço do petróleo.
– Imbecilidade- interrompeu ela meu raciocínio – pura imbecilidade!Argumento cretino usado pelas financistas de meia tijela que não adotam a terapêutica indicada para deter a inflação.
O esforço das autoridades – digo-lhe – não pode ser substimado porque tem feito tudo, sobretudo no setor agrário, para incentivar nossas importações. Mas o país tem sido infeliz. tem geada no Sul e seca no Nordeste, e calamidades como as que ocorreram em Mato Grosso e Rio Grande do Sul, que afetaram seriamente a produção.
– Outra asnice sua. O produto de nossas exportações – café, açúcar, soja, algodão, etc – não dá sequer para pagar os juros da dívida brasileira. O governo adota uma política suicida erradíssima. Incentiva o plantio da soja e nós, que somos um país agrícola, terminamos importando feijão e arroz. Moral da história: as divisas que conquistamos com a soja não dão para pagar as importações de feijão e arroz.
– A senhora está fugindo do assunto. Está levando sofismas. Assim não se pode chegar a uma conclusão.
– A conclusão, meu sobrinho, é que estamos cada vez mais penhorados, a ponto de sermos obrigados a vender a floresta. Está é a realidade. Não seja tão asno!
Dr. Antisthenes Leão, Pe Calazans e o corretor Marinho, bem como os demais presentes, bateram palmas para a velha e censuraram-me por contestá-la, num ato de sabujice que me revoltou. Peguei a mulher e o meu filho e voltei para casa. Não aceitei sequer o insistente apelo da tia Genoveva, para que ali permanecesse até chegar a hora de ser servida a tradicional ceia natalina.
No caminho de regresso, fiquei a desconfiar do patriotismo da minha tia. Ela, tão moralista na sua crítica ao governo, esbanja dinheiro comprando bacalhau, castanha portuguesa, noz, figo, ameixa, passa, maçã, pera e outros produtos estrangeiros, que representam desperdício de divisa. Se ela fosse, como diz, tão patriota, faria também sacrifício, utilizando em sua farta mesa natalina, pirarucu, abacaxi, graviola, cupuaçu, pupunha, tucumã e outras frutas regionais.
– Velha fingida duma figa – disse alto no interior do ônibus, ao que minha mulher, espantada, veio com sua censura mineira:
– Ué, você está falando sozinho …
Não era para menos.


V CAPÍTULO – O MINISTÉRIO

– Viu o Ministério? indaguei a tia Genoveva. A septuagenária respondeu ríspida:
– Vi e não gostei!
Fiz-me de ingênuo e provoquei a velha:
– ora por quê? não se faça de besta! são os mesmos músicos a tocar instrumentos diferentes. A mudança pode prejudicar a orquestra e a música sair desafinada.
Fiz ver a minha tia que ela estava sendo injusta no julgamento. Afinal, o Ministério escolhido pelo General Figueiredo é constituído de homens hábeis como Petrônio Portella, inteligentes como o Delfim Neto e Mário Simonsen e dinâmicos para conduzir o país ao seu glorioso destino.
– A senhora está sendo radical.
– Radical nada! só quem não tem memória ou sofre de amnésia pode daar credibilidade aos nomes que você citou. São todas figuras manjadas. O que se pode esperar deles?
– Muita coisa.
Tia Genoveva tomou a palavra e com a corda toda passou a analisar os nomes mencionados.
Esse Petrônio Portella que vai para o Ministério da Justiça, político por excelência, é papel para muitas tintas. Na fase do diálogo, por ele encaminhado sob inspiração do Presidente Geisel para pacificar a família política, tivemos como consequência o Pacote de Abril. Pode-se confiar num político desse calibre?
Procurei discordar, mas a septuagenária não me deixou falar.
– O delfim – prosseguiu a anciã irônica e irritada – é se não me falha a memória o homem do “milagre brasileiro”.
O milagre deu nisso que aí está. Uma dívida externa que não tem mais tamanho. já querem até vender a floresta amazônica para ver se nos livram da dívida. è a esse homem que se confia a agricultura, onde repousam um país essencialmente agrícola, mas sem agricultura.
– A senhora, minha cara tia, pode dizer tudo o que quiser, porém há de reconhecer a inteligência de um Delfim Neto.
– Inteligente sim. Tão inteligente que conseguiu se engajar no Ministério. Muito mais do que ele é o Simonsen. Brilhantíssimo. Mas o que ele fez? Passou quatro anos no Ministério da Fazenda com promessa de combater a inflação e está se agravando cada vez mais. Ele só é bom mesmo para explicar o inexplicável.
– Não seja tão implacável no seu julgamento, minha tia. Com homens inteligentes como Delfim e Símonsen, e com realizadores como Andreazza, nós vamos longe.
– Não me fale nesse Andreazza – gritou com violência a insolente velha – o que ele fez? A Transamazônica que está reduzida a imenso atoleiro na selva. A faraônica Ponte Rio-Niterói, que contribuiu para o agravamento da dívida externa sem nenhum objetivo econômico. serve apenas para os granfinos de Ipanema veranear em Cabo Frio.
No julgamento da senhora – ousei contestá-la – nem a Belém-Brasília tem finalidade, certo?
– Não seja tão asno. A Belém-Brasília teve um objetivo econômico que muito contribuiu para o desenvolvimento da região. É uma estrada de verdade. triste dos goianos, maranhenses e paraenses se não fosse a estrada.
– Mas Jânio Quadros chamava a Belém-Brasília estrada das onças.
– Ora, Jânio Quadros! Não me mencione o nome desse irresponsável. Se não fosse a loucura dele, o regime democrático não teria sido interrompido e desvirtuado.
– Bom dia, minha santa senhora – disse o padre Calazans com seu vozeirão – ao entrar na mansão da Ponta Negra, aproveitei a ocasião e escapuli para não ser mais contestado com a intransigência da velha. Deixei os dois, ela e o sacerdote, a falar sobre problemas do céu, já que a terra anda muito poluída.


VI – DEVASTAÇÃO DA FLORESTA

Mandei-me, no fim de semana, para o sítio da tia Genoveva, lá no Tarumã. Tão logo atravessei o rio, para surpresa minha, que não esperava encontrar a septuagenária, foi a primeira pessoa que vi. A velha comandando os braçais, parecia um chefe militar, empenhada na batalha de derrubada de algumas árvores . Como ela é uma defensora intransigente da preservação da floresta, aproveitei a oportunidade para ouriçá-la. Sem cumprimentá-la, fui direto ao assunto.
– A senhora, minha tia, que se diz conservacionista e vive a combater a venda da floresta, está aí derrubando árvores. Como é que pode?
– Não se meta – respondeu a velha – onde não é chamado. Estou realmente derrubando essas velhas mangueiras, cujas raízes ameaçam os alicerces da casa. Mas após a derrubada vou plantar outras árvores frutíferas. Vou encher a frente da chácara de graviolas.
– Desculpe-me, é que julguei que a senhora estivesse com espírito iconoclasta.
– Tentei uma retirada estratégica, mas a septuagenária depois de repreender um empregado que estava fazendo cera no trabalho, não me deixou sair e perguntou se havia acompanhado o 10º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental que se realizou no Hotel Tropical. Respondi que não, e ela sempre agressiva, censurou-me.
– Pois perdeu uma grande oportunidade. Pena que as 400 teses apresentadas sobre os mais variados assuntos, tenham sido discutidas de afogadilho. Mereciam estudos mais demorados.
– Mas os amazonenses – observei – não ligaram muito para esse tal de congresso. Nele se discutiram assuntos de São Paulo, do rio, da Paraíba, etc. Daqui, pouco se falou.
– E porque são muito preguiçosos, perderam ótima chance, para levantar a bandeira contra a venda de nossa floresta com contrato de risco.
– Minha tia, a senhora me desculpe, mas essa história de ser contra a venda da floresta tem cheiro de comunismo.
– Só na sua oca cachola pode caber tamanha imbecilidade.
– Mas é o que se diz por aí…
– Nesse país, quando se quer fazer qualquer monstruosidade, dizem logo que é comunista. outro dia, o Dr. carlos de Araújo Lima, na sua crônica semanal, abordou muito propriamente a questão da venda da floresta, mesmo que tenha partido dos comunas, devia unir todos os democratas e tomar a frente da batalha. É exatamente isso! Não deixa que os extremistas da esquerda desfraldem a bandeira.
– Mas…
– Não tem mais nem menos. A campanha do “petróleo é nosso”, foi lançada pelos comunistas. Os democratas autênticos, entre os quais se destacou a figura impoluta de Artur Bernardes, tomaram a frente da campanha, que resultou na criação da Petrobrás, uma das raras empresas que é um orgulho nacional.
– Sinceramente, com tanta madeira na floresta, acho um absurdo que não seja aproveitada.
– Aproveitada já é. Mas aproveitada de forma irracional. O Dr. Warwick Keer, na conferência que pronunciou na Assembléia Legislativa, enfocou o assunto com muita propriedade. A colocação que ele fez do problema foi perfeita. Os desmatamentos, como estão sendo realizados, transformarão a região num imenso deserto, dentro do prazo de 30 anos. Calcule, então, se as multinacionais forem convocadas para fazer a devastação!
Vendo que perdia terreno e não estava preparado para discutir o assunto, solicitei permissão de minha irritante tia, para me retirar, deixando-a com seus trabalhadores de mãos calosas na faina de destruição das mangueiras. Mas a danada da velha, quando me retirava, observou autoritária:
– Já que você não tem nada a fazer, pegue o jornal que deixei na varanda, sobre a cadeira de balanço, e leia a palestra do geólogo Dirceu César Leite, intitulada “A Floresta Equatorial Amazônica e sua influência no regime pluviométrico da América do Sul”. Você se conscientizará do problema e não vai mais falar besteira.

VII- A COMPRA DA LIGHT

Atrasado três meses no pagamento do aluguel da casa, sob ameaças de despejo, nao tive outro meio de solucionar o problema senão apelar para Tia Genoveva. Ao chegar, porém, à mansaõ da Ponta Negra, fui informado pela governanta Maria Augusta de que a velha estava trancada em seu gabinete de estudo e não queria, de forma alguma, ser importunada. Fiz-lhe ver minha situação desesperada e Maria, que é uma espécie de primeira ministra dentro do casarão da septuagenária, levou-me ao gabinete. Tia Genoveva debruçada sobre a mesa, cortava jornais e revistas, preparando o esboço da conferência que vai fazer na universidade sobre a compra da Loght pelo Governo.
Expus-lhe minha situação embaraçosa e esperava uma reprimenda da velha rabugenta por ser tão relapso. Mas ela estava numa maré de bom humor, assinou prontamente um cheque de seis mil cruzeiros e repreendeu-me porque não a procura logono primeiro mês, deixando passar tanto tempo, a ponto do locador levar-me à cobrança judicial. Disse que não a procurara para não importuná-la. E para evitar maiores comentários sobre fato tão constrangedor, perguntei que tipo de pesquisa era aquela que ela estava realizando em seu gabinete.
– Vou fazer uma conferência sobre a compra da Light – respondeu – um escâncalo capaz de derrubar qualquer governo, onde se exerça a democracia autêntica.
Com o cheque no bolso para o depósito judicial procurei ser cordato com tia Genoveva, o que raramente acontece. E comentei:
– Realmente, foi um absurdo. O governo que teria a Light de graça em 1990 pagou pelo polvo canadense 380 milhões de dólares.
– Pior – atalhou a septuagenária – é que o governa não tinha condições de fazer a transação. Você sabe o que representa esse montante de dinheiro que a Brascan não vai receber de mão beijada?
– Mais ou menos.
– Representa quase que o equivalente às exportações de nossos produtos agrícolas durante o ano. Quem deve, como deve o nosso país, 45 bilhões de dólares, não podia fazer negociata tão imoral.
– Vivemos, minha cara tia, no país das mordomias. O que a senhora espera mais?
– Era de esperar-se – assinalou a septuagenária, cheia de justa e patriótica indignação – que se respeitasse pelo menos os estatutos da ELETROBRÁS que figura como compradora no negócio e que, pela magnitude do problema, o Congresso fosse consultado. Mas ninguém foi cheirado nem consultado. Uma vergonha.
Nessa altura, disse tia Genoveva que naõ queria interrompê-la por mais tempo. Pois ela estava colhendo subsídios para a palestra e quanto mais demorasse, implicaria em prejuízo para ela. A velha veio me deixar até a porta do escritório, mas antes fz o seguinte comentário:
– O futuro ministro da Minas e Energia, Cel. César Cals, em declarações recentes, quando foi designado para o cargo, disse que o futuro governo pretebde privatizar ao máximo as empresas estatais. Se o General Figueiredo, que foi indicado para presidente da República pelo General Geisel. com o qual tem perfeita sintonia, que privatizar as empresas estatais, como poderá explicar o fato do atual Ministro das Minas e Energias, Shigeaki Ueki, ter feito tão calamitosa compra.
Despedi-me da velha e apresentei meus agradecimentos. Ela mandou lembranças para minha mulher e meus filhos, sem deixar de ponderar:
– Tenha cuidado com as finanças. Porque do contrário, você vai ficar em situação mais encalacrada do que o Brasil com sua incomensurável dívida externa.

VIII – O DRAMA DOS BIÔNICOS

Tia Genoveva é mulher política por excelência. certa vez, perguntei-lhe por que não se filiava

a um partido. Ela respondeu que o peso da idade a impedia de exercer atividade política.

Argumentei quenidade não era documento, pois estão militando na vida partidária homens como

Dianrte Mariz, Rui Santos, José Bonifácio, Petrônio Portela, Luiz Viana Filho e outros. E enfatizei:
_ Gente que há muito deveria estar em sarcófagos…
_ É – assinalou a septuagenária – mas eles fazem política por profissão.
Contra-ataquei dizendo que ela, sem fazer política, só falava sobre o assunto. Se os Dinartes,

os Bonifácios, os Portelas faziam política, o que não deixava de ser uma forma profissionalizante.
A velha assanhou-se e, em cima da bucha, justificou-se:
_ Na minha idade, em que só espero o chamado de Deus, para me transferir deste para o otro

mundo, a política nacional é minha diversão.
_ Diversão? _ interroguei.
_ Sim. A política nacional é um imenso circo onde palhaços, trapezistas e domadores

desempenham suas funções.
_ Como assim?
_ Não se faça de ingênuo ou desentendido. Todos os dias, numa repetição monótona,

observamos a atividade circence.
_ Então, política para a senhora, é circo.
_ A política não é circo. É uma atividade nobre. Verdadeira ciência. mas entre nós, com os

desregramentos de nosso subdesenvolvimento, a política é uma torpe chanchada.
_ Mas o país, mesmo com a política mambembe, como diz a senhora, está indo pra frente…
_ Pra frente uma joça!!. Está regredindo. Caminha pra trás como o guaiamu.
_ Explique-se melhor! Não entendo seu raciocínio, minha cara tia.
_ Não entende porque você é um asno. Vê tudo pela ótica da superficialidade. Se observou o

episódio político ocorrido esta semana no senado, com a posse dos biônicos, deve ter notado o

aspecto ridículo.
_ Não vi nada ridículo. Os vinte biônicos assumiram seus cargos e quatro deles foram

escolhidos para integrar a Mesa do Senado.
_ É exatamente aí que está o grotesco. Esses “senadores” nomeados, em que sua maioria

políticos fracassados, como Dinarte, Gabriel Hermes Filho e Amaral Peixoto, que não têm mais

condições de se apresentar diante do eleitorado, para disputar-lhe os votos, foram escolhidos por

um passe imoral do Pacote Abril.
_ Mas isso faz parte da regra do jogo.
_ Que regra? Quem tem regra é mulher, antes da menopausa. O Sr. Paulo Brossard, na abertura

dos trabalhos do Senado, situou muito bem apropriadamente a posição dos bônicos.
_ Mas, o senador Jarbas Passarinho _ ponderei _ mostrou que o sr. Brossard era intolerante.
_ Não mostrou coisa nenhuma. Tentou justificar uma imoralidade que estarreceu a Nação.
_ Assim ou assado, os biônicos estão desfrutando no Senado, metendo a mão na grana e

gozando de todas as regalias.
_ Se você pensa assim, é porque tem também mentalidade biônica. Mas, para mim, que não

tolero a corrupção, fico com o pensamento do novo senador Jaison Barreto, de Santa Catarina,

quando disse que os biônicos poluem e maculam a augusta Casa. É uma figura aberrante, que

envergonha a Nação.

IX- AS ENCHENTES

Tia Genoveva foi outro dia ao banco para fazer retirada de certa importância destinada ao

pagamento dos serviços da mansão da Ponta Negra e do Sítio do Tarumã, onde estão sendo

realizadas obras de reformas, segundo ela muito onerosas. Não entendi porque me chamou,

tendo a dirigir seu Mercedez Bens baito crioulão, pau para toda obra e que serve a septuagenária

com fidelidade canina. Não procurei saber as razões do convite e a acompanhei. No meio caminho

ela puxou conversa.

_ Você viu a última do Ministro?
_ Li-lhe a entrevista _ respondi.
_ Realmente, o aumento dos preços do petróleo e seus derivados foram de lascar. As

explicações do Sr. Shigeaki Ueki não convenceram a ninguém. Ela impediu que prosseguisse e

frisou:

_ Não estou falando japonês, refiro-me ao Mário Henrique Símonsen, que inspirou o Governo a

assinar aquele infame. Decreto-Lei, determinando o desconto de 5% da alíquota do Imposto de

Renda, para fazer face às despesas causadas pelas enchentes.
_ Nada ali _ afirmei _ a esse respeito. Parece-me, porém, que foi justa a medida

governamental. Muita gente ficou na miséria e perdeu tudo que tinha, principalmente na Bahia e

no Espírito Santo.
_ Justo nada _ interveio a velha aborrecida _ não é admissível que, num caso de emergência,

provocado por uma calamidade pública, procure-se sangrar mais ainda a debilitada bolsa do povo.
_ O desconto do imposto de renda deve atingir a todos: ricos e pobres.
_ Nada disso, vai atingir exatamente os mais necessitados, que descontam o imposto na fonte.

O Governo para fazer face às despesas com a calamidade, poderia recorrer a outros meios.
_ Quais?
_ Ora, quais. Poderia fazer um empréstimo compulsório aos bancos ou, então, recorrer a

empresas de economia mista, como a Eletrobrás ou a Petrobrás, que estão podres de ricas e

jogando dinheiro pelo ladrão. Nunca sacrificar esse já demais sacrificado povo. Tem-se até a

impressão de que o Sr. Simonsen tem o prazer mórbido de atingir a pobreza, tornando-a cada vez

mais desgraçada. Por que ele não se volta para os ricos? Para as multinacionais, por exemplo, que

estão se locupletando e levando o País à bancarrota?
_ Certamente o Ministro da Fazenda _ ousei ponderar _ assim procede para não impedir o

crescimento do País.
_ Que crescimento? o nosso crescimento é como rabo e cavalo, só cresce para baixo. trata-se

apenas de uma palavra mágica, usada pelos tecnocratas, para enganar os trouxas, como

enganaram durante muito tempo com o chamado “milagre brasileiro”.
_ Realmente, não sei porque estou falando sobre isso com você, logo com você, um

irresponsável que fica devendo três meses o aluguel da casa…
Senti uma alfinetada no coração e, intimamente, arrependi-me de ter solicitado os prétimos

da velha na semana anterior para pagar meus aluguéis em atraso. A observação feriu meus brios

de pobre orgulhoso.
Felizmente a essa altura o carrão parou na Avenida Sete de Setembro, em frente ao Banco

Sul-Brasileiro, onde ela ia retirar o dinheiro. Acompanhei-a. Logo na entrada, o gerente adjunto,

Zulcimar Sales Bonates da Cunha (Pipira) foi recepcioná-la com mesuras e rapapés, só

dispensados aos grandes clientes como Tia Genoveva, que mantém ali, volumoso depósito. A

velha, chamada à mesa do gerente adjunto, disse seu objetivo da visita. E, enquanto era servido o

cafezinho, Pipira já estava com uma sacola contendo cem mil cruzeiros, que a velha fora retirar.

Na volta à mansão, no almofadado assento do Mercedes, perguntei à Tia Genoveva se ela não

temia um assalto, conduzindo tanto dinheiro, quando poderia fazer seus pagamentos em cheques.

Ela me olhou de soslaio e abriu a bolsa, dentro da qual havia um trabuco de luxo, cabo de

madripérola.
_ Taqui para assaltante! _ arrematou.

O.B.S.: aguardem o próximo capítulo…………………………………….

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2 opiniões sobre ““Fatos Manauaras- Tia Genoveva””

  1. A obra “Tia Genoveva” está sendo publicada por capítulos, por isso amigos tenham calma acerca do próximo capítulo rsrsrsrs..um grande abraço a todos os internautas que visitam diariamente a minha página. Até mais… ah, não deixem de ler os capítulos, depois quero também comentários!

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